Como a previsibilidade afeta na tomada de decisões no setor de TI

É natural do ser humano buscar entender e controlar o ambiente em que vive, tornando-o mais previsível. Essa busca por controle e previsibilidade é o que impactou fortemente o desenvolvimento das ciências ao longo do tempo: a curiosidade que resultou em avanços científicos e tecnológicos vem, em parte, de querer controlar a natureza.

Contudo, quando tratamos dos processos de tomada de decisões, principalmente nas questões de planejamento e desenvolvimento do negócio, existem muitos riscos e variáveis envolvidos que tornam a previsibilidade um perigo em potencial.

A Tecnologia da Informação é um setor que sofre muito com isso. Há décadas as pessoas têm criado e evoluído processos de desenvolvimento de tecnologias e enxergado que a previsibilidade é incompatível com a tomada de decisões no setor de TI por vários motivos.

Abaixo, você vai conhecer alguns deles e entender como a previsibilidade pode afetar os rumos do setor. Acompanhe:

A nossa capacidade de prever cenários é bastante limitada

O cérebro humano é uma supermáquina, contudo, ainda estamos sujeitos a erros que nos tornam incapazes de conseguir prever com precisão todos os cenários de uma dada situação.

Pense no desenvolvimento de softwares, por exemplo. Geralmente, um sistema automatiza diversos processos complexos em uma organização. Para isso, ele precisa lidar com uma série enorme de situações e cenários.

Quando pensamos em um novo sistema, geralmente nossa visão do processo é ampla. Olhamos para cada situação de uma maneira geral, o que nos impede de antever cada um dos cenários que podem afetar um projeto ou um processo de TI.

Um software em desenvolvimento precisa atender a diversos stakeholders, e a integração entre as visões de cada um deles é mais um ponto em que naturalmente podem ocorrer “gaps”, que apenas o decorrer do processo pode expor e que precisam, ainda, ser identificados e tratados.

A parte técnica da TI também influencia a previsibilidade na tomada de decisão

A TI de uma organização está constantemente lidando com trabalhos e projetos novos. Isso significa que muitas vezes é difícil prever quanto tempo determinada atividade vai levar ou quanto esforço ela exigirá da equipe.

Ainda pensando naquele exemplo do desenvolvimento de softwares, não é incomum encontrar um desenvolvedor que tenha se deparado com tarefas em que previa gastar poucas horas e que acabaram durando mais do que o esperado.

É fácil pensar que isso acontece devido a um erro de planejamento humano, do próprio desenvolvedor, mas a verdade é que em um ambiente de TI é impossível controlar sem o auxílio de ferramentas todos os aspectos envolvidos em um processo de desenvolvimento.

A previsibilidade atrapalha o aprendizado em um projeto de TI

Ter que detalhar e definir vários pontos anteriormente "cegos" para quem está envolvido no projeto pode gerar aprendizado sobre o sistema ou mesmo sobre o negócio que se busca informatizar.

É isso o que faz com que a visão sobre as responsabilidades do sistema evolua no decorrer do projeto. Não aproveitar esse aprendizado é um grande desperdício, sem contar que o próprio ambiente de negócios está mudando constantemente. Ao não permitir que o projeto evolua durante o trabalho, compromete-se a capacidade de gerar valor.

Mesmo com esses impactos, não é difícil encontrar organizações que buscam trazer mais “previsibilidade” à TI, com a exigência de prazos exatos e de custos e escopo definidos antes mesmo que seja iniciada qualquer etapa do projeto.

Contudo, essa previsibilidade é uma grande ilusão e sua busca costuma trazer consequências negativas, tanto para o projeto em si como para a cultura e o ambiente de trabalho.

Mas então, como evitar a previsibilidade e melhorar a tomada de decisão?

A TI Bimodal é uma das saídas que podem trazer sistemas e projetos ágeis e estáveis a uma empresa. O termo foi cunhado pela consultoria de TI Gartner Inc., que define os dois níveis da seguinte forma:

  • Características para o Modo 1: tradicional e sequencial, enfatizando a segurança e a precisão. Projetos de desenvolvimento relacionados à manutenção, estabilidade ou eficiência do sistema central. Estes requerem programadores altamente especializados e ciclos de desenvolvimento tradicionais. Há pouca necessidade de envolvimento empresarial.
  • Características do Modo 2: exploratório e não-linear, enfatizando a agilidade e a velocidade. Projetos de desenvolvimento que ajudam a inovar ou diferenciar o negócio. Estes exigem um alto grau de envolvimento empresarial, rápida reviravolta e atualização frequente. O Modo 2 requer um caminho rápido (ou “linha rápida de TI”) para transformar ideias empresariais em aplicativos.

A abordagem reconhece que a capacidade de uma organização de TI para responder rapidamente e gerar objetivos de negócios pode exigir pessoas, processos, tecnologias e orçamentos diferentes do que o fornecimento de sistemas de TI confiáveis.

Ainda que não seja nova, a abordagem bimodal de TI é especialmente relevante no momento atual, na medida em que as empresas estão lidando com o impacto dos novos modelos de computação — mobile, nuvem, Internet das Coisas, Big Data — em seus processos de negócios.

Por que você precisa de flexibilidade?

Primeiro, a incerteza é um fato da vida. As pessoas e variáveis são muitas vezes uma carta surpresa e um incidente não previsto pode interromper o trabalho ou permitir que você se mova mais rápido.

Para uma tomada de decisão efetiva no setor de TI, é preciso saber que essas “incógnitas” estão esperando para atrapalhar o desenvolvimento de projetos, estragando as chances de alcançar o triunvirato de qualidade, custo e entrega.

Segundo, nenhum dos projetos são iguais. Mesmo quando o objetivo é idêntico, o ambiente pode ser diferente, tornando difícil seguir a mesma sequência de atividades de cada vez. Por exemplo, algumas pessoas precisarão de mais treinamento, outras podem resistir à mudança.

Uma implementação que enfrenta desafios em um local pode funcionar sem problemas em outro. Em suma, os processos de gerenciamento que permitem flexibilidade na tomada de decisão geralmente são mais bem-sucedidos do que aqueles que apostam na previsibilidade.

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